![]()
dos passaros - fao/2011
meus olhos baixos, paul, son, meu hálito de alcool, meu desejo, e a estrela que não sobrou, de isopor.
Pra repor o seu, sobressalente, semblante esperto.
Meu desespero lento, tão lento , bolinhas de artefato, minha voz embargada.
Sangue rasgando por dentro, um amor carnivoro, um cilio caiu, um busto quase puro...
lascivo era o amor.
fao/11
posted by FAO CARREIRA 8:24 PM
![]()
celeste - fao/11
Devora
conversas com seus botões da blusa geralmente displicente mentes
azuis tão claros que me lembram das águas de santa bárbara abrindo aos
borbotões os ciscos negros de carvão da queimada no ar que se desvela
cisnes ao alento da aparência dos seios claros rosados que me lembram
nossas conversas.
Amenas
Sublimes
fao/11
posted by FAO CARREIRA 9:47 PM
![]()
fao/08
A fábrica de acúçar
A grama que morre aos seus pés
Ou a sombra quase pálida das árvores e o solar
silenciando a cor das tintas ao amanhecer,
e onde mais vai pisar...
....esmiuço um buço e volto atrás a desenhar um santo moido,
pelas idéias,
orquideas, cachalotes
quisera...
-
Se eu te dei as mãos em explicação
foi interesse em conhecer, destruir a constelação do talvez
E abdicar
da estética da fome
os cotovelos e as costelas acesas
-
os cegos do nordeste, o novelo cinzento sobre os ombros, os cegos do sul,
o meio o centro oeste, ouvem a marcha lenta dos tempos sem azuis, lestes e
mágoas, ácido nas asas
das xicaras bordadas em sua anágua.
-
Vermelhos incedem gastos
Deixe as pedras nos sapatos
billie hollyday, só uma noite...bastaria? sou só um cara que pinta quadros...
e
meu último cigarro foi antes da meia noite, aquele dia.
-
Tornados
Do que se assemelha seu quadril
e febril
era pintá-lo
álamos
seu tornozelo
de gesso
fao/11
posted by FAO CARREIRA 10:53 PM
![]()
fao/11 - virgin woolf sister moon
SONORA
A flor presa implora
Semêm, jardim
A alegoria dos fartos
Cascos terra emblemas alumínios
Espellhos diletantes, ao menos
figos inteiros na seca estante
- ando desconfiado da essência tardia, que deixa
lastro de agônia e cheiro – ele disse.
Onde estão as estrelas, senão atraz do céu da sua orelha?
esquerda.
E a chuva caiu deselegante.
Sonora
- estou indo, embora, mas ele sempre volta , a delicadeza é
um extremo suave do medo, é a mitica do esquecimento – ela pensou.
- Nada contra as fronhas limpas, vermelhas,
o azul confortavel dos travesseiros, seu peito, se é na renda bordada
do meu próprio pensamento que eu me deito.
O resto dos outros sempre foi meu. – alguem pensou. – alguem disse.
fao/11
posted by FAO CARREIRA 9:42 PM
![]()
fao/11
Dois cantos canteiros
Cansei de galanteios
estaleiros sem sal, vulgares
São sempre longos e largos
os prazeres
- La belle...
Da múltipla poeira que paira sob o ar entorno da janela aberta
A saudade é só estética da solidão
relíquias
As tias e as distancias e as usuras do tempo
Sem lastro
De vontade, alguma é sonho
Eu sempre quis escrever, céu, num canto parede
de quarto
tão claro
moça antiga
Úmido relato
A quem se encarregue de verdades
os frutos vermelhos insensatos
as línguas brincantes
Os dois em um universo sem senão
O hálito amanhecido dos amantes
Se faz
Fao/11
posted by FAO CARREIRA 2:41 PM
![]()
Silente - fao/11
COMÉDIAS CONSTANTES E ERROS
As unhas sujas
Os olhos altos, o gesto do linho
escreve na orelha, flecha esse ardor
a decisão das nuvens se desintegrando imperfeitas
Pernas pra que te quero, eu te quero, tão bem
De repente um vazio, navio
uma multidão pelos olhos
Narcisa e copos e copos e copos
de cerveja
e chuva fina magnólia
pra entrar nas olheiras, carregar
acendendo as fronhas
as meninas
quantos pares silentos
em que você pensa quando faz amor?
Caminho circundado de mera vida
Rural, ais
naquim e lilás
Vitima de uma pele sem rugas
ruiva e rosa
As botinas pardas
febre do instante
e uma fatia do peito do cisne
entre os dentes
Fao/11
posted by FAO CARREIRA 11:53 PM
![]()
fao/11
as minhas viúvas não falam o que pensam
sabe se lá que cor me dão
no vasto
- as mães gozam o universo
e eu ando engolindo tintas
que algum deus me
valha
do veneno
Fao/11
posted by FAO CARREIRA 1:32 AM
![]()
do canteiro - fao/11
CANTEIROS
- o que projetaste em confiança,
mesmo que sem o acaso fosse tão possível
ou que o talvez trabalhasse com a distancia,
ao apontar no mapa o dedo, em intenção a
minha própria lança -
-
Um cigarro antes
sem estragos
Fao/11
posted by FAO CARREIRA 10:54 PM
![]()
fao/10
ASTERISCOS
Pisei tantos nesses,
jornais, tropecei, corri, vasculhei noticias tardias
só pra saber que já passou o dia.
Você não pode colocar os dedos na tomada, amor.
Que seja assim, risco de corda de violão, espada jogada no chão
e um beijo atrás da cortina, que imita o branco céu, e eleva hastes
de um vento bom, e voamos, vamos vamos...
pra você eu dou o gesto mais bonito, sem escolher
nem premeditar
deve ser saudade trabalhando por dentro uma nova maneira
de te encontrar
Recolhendo cores
Oferecendo outro beijo, minha cama de solteiro
O destino é tão servil, e usamos dele tão errado, ás vezes
somos os mesmos
não quero te esquecer, quero pensar milhares de vezes você,
feito uma palavra, até perder sentido ou virar uma verdade
tudo cheira, tudo fede
do mais delicioso dos perfumes
ternura, decência, carinho, afeto, amoras, centavos, bolsos,
lâmpadas, biscoitos, afoitos, beijos, azuis, querubins, argilas,
sentinelas, prazer, botina, sangue, folhas, algodões, asteriscos,
cometas, nuvens rarefeitas...
o leão só come quando tem fome
o sol só devora onde não há sombra...
fao/10
posted by FAO CARREIRA 12:44 PM
![]()
Fao/10
VESTES
Complacente é o olhar
nuance de dor se vê até no escuro
Piedade é pra quem precisa da bondade, alheia
pra se sobressair
Existe o gasto e o polido e as coisas que não se bastam
onde a beleza é fugaz no momento que se faz
Dedos, dildos, dálias
Queimando mentirinhas com bitucas
aliviando com a ponta da língua
E saber que a alma é mais importante que o corpo
e o corpo mais que as suas vestes
Fao/10
posted by FAO CARREIRA 3:19 PM
![]()
fao/10
Carta a Esther que não veio
porque foi no improviso
que se faz agora a lembrança
agora quase gasta
dos seus lábios mordidos
eu que elevara do sublime gosto seu
a língua ao úmido umbigo
e que eu tinha ouvido na ponta do seu mamilo, o coração
sem bastar felicidades amenas
entre o capim nascido na calçada e o gesto da mão
partindo sem jeito de São Manuel
como se a solução fosse
eternizar um feio adeus
seu
fao/10
posted by FAO CARREIRA 12:28 PM
posted by FAO CARREIRA 12:18 PM
![]()
Reminiscência – Fao/10
COMO ESTÁ
Pardas são as penas
Voláteis
Latitudes são as nuvens
desperdiçadas de manhã
cines, dragões, flores entre suas pernas
reminiscência é passado equidistante
e pronto
flor do limbo, vinda
tiro de estrela dói, mas ilumina
e finda
Fao/10
posted by FAO CARREIRA 11:23 PM
![]()
fao/10
meus olhos ardem da tinta que usei, envenenado com as suas,
as pessoas vem em vão e vão,
e a saudade só nasce depois do adeus
que a noite devora o dia
volutas na noite,dobras de esquinas
vasculhando sombras
que o sutil da nuvem se rebela castanha na tempestade,
que o beijo antes desejado celebre em outros lábios, a vida.
sabendo das cores que só nascem no escuro.
eu procuraria a cor escondida dos seus dedos
ou a saliva que só se faz cor na luz
e ainda assim é afeita a luz, céu da boca
e ver vermelhos a lapela avulsa
eu amante escondido sem mesuras, você musa nua deitada
sendo pintada de algum azul verde pele céu invulgar
fao/10
posted by FAO CARREIRA 7:56 PM
![]()
vestigio - fao/10
Vestigio
minha irresponsabilidade tem seu peso e minha medida
não me ausento.
onde o fio da meada deixa o medo entre linhas, e meu cansaço é meu menor auxilio,
sigo.
Esse horizonte castigado é meu passo e invulgar é meu destino
se minha sensibilidade passa por essa outra orla ponte calçada porta aberta cama.
Curitiba é fria e perfeita, seus verdes e brancos entorpecem como o vinho, a arte lateja mansinha,
e ainda sim me sinto tão só.
num corpo de hortelã, a boca cortada de alguma cor submissa, pressinto sua ausência,
e felino quero roçar o seu jeito lento, se o relento pede
o beijo a nuca
que dentro da minha perdição, esse vazio, meu gozo preencha
todo vestígio
e procura
fao/10
posted by FAO CARREIRA 9:04 PM
![]()
esboço - a saia - fao/10
pés
vitais
Origem dos anjos
tensão de véu branco claro
lapidadas as lâmpadas
de mercúrio
Frieiras de um demônio sem prazer
Raspas da borracha que apagou seu olhar
límpido da lagoa
Medieval
meu pau
fao/10
posted by FAO CARREIRA 11:16 PM
![]()
a moça rúiva - fao/10
PÚRPURA
Um amor num resto de canto
de quarto.
tapetes são pra voar
seu cachorro já lambe seus pés
mais doces
imaculados, seguem os dias nas sombras mais soltas
o frio vem debaixo da porta, esfriando alguns desejos
desperdiçados na xícara
de café
bucólica a cólica da moça
Um amor num resto de tempo
Aroma sem cais
como me leva a nuvem a cara
os verdes são pra ornar seu cabelo
púrpura
quando vai
fao/10
posted by FAO CARREIRA 1:54 PM
posted by FAO CARREIRA 11:59 AM
![]()
fao/10
Das Anônimas
Polônias em sóis, tão claros
Prende seus cabelos em laços baços
de couro, ouro
A febre de algum vulcão
Tinta de algum dedo em vão
copo de leite, lilás água raz, acrílico e canivete
seus tornozelos sobre
a ventania parada aguda
deus ajuda
escolha deusa
muda
Fao/10
posted by FAO CARREIRA 8:45 PM
Botucatu me parece dourada, levemente amarela nesse final de tarde...mesmo com o ceu ainda azul...
poucas nuvens...o horario de verão incide,
venta leve.
deve ser o lugar onde moro, vejo os telhados feito escamas de barro, as casas, tudo tão longe.
eu deixo seguir os segundos...
pode ser as crianças do haiti, ou as crianças realmente pobres do brasil que me fazem sentir assim...
ou o amor que eu sinto por alguem que preferiu sorrir dizendo adeus. sem mais.
sem soma.
eu nao sei, mas que Botucatu esta levemente ventando e dourada e azul no final dessa tarde, esta.
fao/2010
posted by FAO CARREIRA 11:29 AM
![]()
as luas - fao/09
Das unhas
Das unhas que ela corta, e não pinta
pra quando o amor chegar não rasgar nada
alguma paz, o que surgir com intuição e excelência
Que do fermento lento do amor
os olhos de bronze e sol,
ornam em azul a linha de qualquer sombra
dentro das minhas costelas
Trançando qualquer palavra
Que se faz presente a luz
mesmo a noturna se acaso
flor
o cheiro escondido no abraço
meu leite derramado
no seu dorso
envolta
eu vento
no mês das águas
fao/09
posted by FAO CARREIRA 10:36 PM
![]()
pra esse corpo lasso que não sabe o voo - fao/09
TATUAGEM DE CHICLETS
Aproveito o horário de verão
a luz incide
e resiste a minha
O arco íris caiu direto no lixão
e o amargo dissolvera do amargo
e açúcar e o amor doce é doce de padaria
palavra decisa
mas sim sim distância
da árvore sem âncora do bar
entorno
tão delicada esteja
durmo encostado na parede gelada,
flâmulas, nada e pulmão
nem graça
e o sol nasce bonito, feito um novo rito
liga o interruptor
pra eliminar essa coisa rasa
essa coisa vasa
sorrateira feito um trovão
fao/09
posted by FAO CARREIRA 12:48 PM
posted by FAO CARREIRA 12:38 PM
![]()
traçando constelações - fao/09
SOLAR
Abre os poros
do seu corpo
e dessa mesa
afasta as estrelas pra passar
observa, tudo eleva
a trançar alado, até chegar ao fato
desabotoar sua blusa
entrar na cor que você usa
tocar
seu plexo
solar
fao/09
posted by FAO CARREIRA 4:12 PM
![]()
a prostituta - fao/96
AMOR NÃO SE PLANTA EM VASO
Dois dedos de esquina
Quimera era uma fruta fria
e o medo de mostrar a pele detalhe
da luz
os dentes sujos da tinta do vinho
O sexo em desalinho
como convêm
Sol com a luz do poste
Às vezes meus olhos ficam cheios
e sujos imundos
é quando vou pintar
desembaçador de pára-brisa
São seus dois brincos cor de tinta
Carimbo de mordida faz desenho
quase nada no que eu faço e
da saudade não se cobra o cento.
fao/09
posted by FAO CARREIRA 10:36 PM
OU NO PALÁCIO DOS INGÊNUOS
Iluminando um isto
Algum adjetivo perdido no seu jeito
Da draga dos olhos
Fazer por onde
Um cravo brando uma beirada sem canto
seu lento alento andar
Piegas até a última gota
o mínimo dos milímitros
retendo água e sorrisos do infinito
cansado de chegar
Um pouco
um pouquinho das estrelas
Suficientes pra encher sua bolsa de vaidades
Como se a noite fosse vaga
pras lágrimas estacionarem
uma a uma
Devagar
fao/09
posted by FAO CARREIRA 1:10 AM
![]()
o voo - J.Torres & Fao/09
LÉGUAS
Ia, nem pra ver
meus olhos
nem em pulso seu
Debatendo
A verdade que medra água de poça
seus pés
sem chinelas
refresca
Porém, livre do chá das suas horas
mentiras de cor das juras em sombras
eu vou
e no canto do olho
que verdura
do seu peito modificado
claro
Sublimado santo grávido
de cisnes e esterco trotado
Deslumbrante feito um não
em meu pescoço cravado
Me impus no avesso
e pra ti
esse lado da rua que não brota
Coração de passarinho explodindo
a cercania do quintal do seu gosto
Invadindo seu rosto
suave
fao/09
posted by FAO CARREIRA 10:14 AM
![]()
simples poça - fao/09
LEVE CANÇÃO
se for chorar só quando
chove
se for sonhar só quando
dorme
se for me amar só quando
descobre
os olhos
das pálpebras
pombos na mangueira
a flor das laranjeiras
seu suéter cor do éter
e descalços no quintal
leve
seu nariz quilha perfeita
no ar
fao/09
posted by FAO CARREIRA 11:34 PM
![]()
a noite, feito mobiles de um Calder barroco em um céu de bruma e Morphine - fao/09
NOITE
A noite é cega meu lírio
As léguas nos divisam
A noite e sua borda
e suas garagens carnavalescas equivocadas
As ruas sãomuito maiores que nossos olhos vãos
O vicio que nasce em pranto
A noite e suas dobras
As extremidades da saia
Sua cercadura
Fimbrias
Tira a faixa a bainha
Vou te contar
do rebordo da cratera
de onde eu posso estar
o filete sob o ornato oval
seu dorso
as ancas
depois da seqüela pétala esfria
o almoço por kilo
namorados no portão
um cílio guardado
os lábios rochosos
toneladas cântaros brancos
um que se phoda
depois o beijo
fao/04/09
posted by FAO CARREIRA 11:04 AM
![]()
fao/09
VIBRAFONE
A fome do santo esquálido
revirando arbustos procurando ervas, mostardas e anis
em um cemitério de auto móveis
dissolvendo o açúcar da saliva de todos
os beijos
escorrendo da calha a veia cava
sua
o macio da pele da moça
órfã da música que ilustra o dia
o risco da mosca na pia
o cabelo crescendo tão lento
onde o convite do impossivel resiste
a mão de alguem ornando seu braço
o verde e o vermelho cheios de alguma lembrança
ante o grito de dor que ninguém nunca vai ouvir
esparadrapo na ponta do dedo
apontando alguém partir
fao/09
posted by FAO CARREIRA 1:50 AM
| textos registrados |