fao - cartas

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Terça-feira, Junho 23, 2009

 




DIABLO OK


Tarde é esquina pra noite
O vento fino
No nylon melindra
Revirando o lixo atrás de
Atrai estrela e

Limpa a bota
Pontuda na quina
Da calçada
A bosta

Não distrai
Auréola de batom
O atrito dos molares
Revirando os olhinhos
Lacrimejando os cilinhos
Na cava rasa da ruga decidida
Escorre o pesado da lua

Enroscados no portão
Costura a linha a mentira

Penumbra é atalho pra loucura
Penugem do colchão
Na virilha sua unha

As tardes sem lanternas
Do frescor dos potes
O contorno do sorriso ao tufo
A febre do trino

Figura te



fao/09


posted by FAO CARREIRA 10:22 PM

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Quarta-feira, Junho 17, 2009

 


posted by FAO CARREIRA 11:31 PM

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Sábado, Junho 06, 2009

 

receita simples em L pra se criar raiz em nuvem de algodão - fao/09




aflora


e de flora ao seu céu

desbota esse seu céu
escuro

atravessando todo e qualquer sentimento
esse papel cru gris
até chegar no azul, perpendicular

colhe as frutas maduras que pendulam
afeitas

entre as pernas

e recolhe atrás da orelha essa mecha de cabelo
pra esse meu beijo que flutua na penugem
onde repousa um brinco
a morar

observa o lento crescer da raiz no algodão
na palma palavra carinhosa de todo gesto
da minha mão

a namorar

aflora




fao/09



posted by FAO CARREIRA 7:18 PM

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Quinta-feira, Maio 21, 2009

 

fao/




Nº SIM



Inda a palavra não chegou a língua
A framboesa pendurada no canino

O campo ao fundo
Unto
A braçadas

Quinta de rua e viela
suspiro é uma virgula nova, uma avenida

No meu calcanhar em reviravolta

No seu antebraço sem adeus




fao/07-09




posted by FAO CARREIRA 12:53 AM

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Terça-feira, Abril 21, 2009

 

Anna Mariani




PÉ DIREITO



Alguma coisa é antes
que não o chão

poeira no faixo da luz da janela

alguma coisa é seus pelos do braço e das pernas,
alguma coisa é ontem

tinta de caneta
pé direito alto
olhar

alguma coisa é bebida forte
corpo estendido no lençol

Luiz melodia de manhãzinha e feira e ressaca colorida
Caneca no pão

Casco de navio
Casco de vidro
Casco de patada, longa e fria, azulejo azul
Banheiro antigo


Alguma coisa são suas mãos
Alguma coisa é simples feito a voz num quarto vazio

Botucatu escorrendo em chuva
na esquina da padaria vi um crime e todos os dígitos nos pingos

Seurat pontilha os finais da tarde


Genet do meu lado se esquivando de um bêbado e suas flechas
Cupidos degladiam com gárgulas insolentes

Sapato de couro, calça de linho, manga puída

Nos butecos das tardes de segunda chove lágrimas de algum deus sem medidas



Fao/09




posted by FAO CARREIRA 7:35 PM

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Segunda-feira, Abril 13, 2009

 

MAIS PERTO


uma forma de sentir você mais perto


certo que vai chover lá fora, a tempestade se armando com trovões pra
assustar os homens da terra.
Me sinto só.

não pense que é tristeza, é só solidão, a que Maria Rilke se referia, quanto mais perto
de mim eu a sinto, a solidão, mais vejo os outros e a mim com clareza.

e eu vejo você doce e terna, descobri que te amo em um desses momentos, quando não
se espera o enlace da vida, tornando o sonho suspenso em
dia a dia

danço os dias
lentos
deito na minha cama de solteiro e penso em você

com verdadeira saudades


te amo


fao/07-9




posted by FAO CARREIRA 1:00 PM

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fao/08



JOELHO DOS PNGOS MOLHADOS
capitulo - III



E ela levava consigo uma blusinha, cobrindo o pequeno corpo, mudando o modo do mundo um pouco,
em volta, bem pouco, entre as volutas do ar, ainda havia o cheiro de vingança e traição, traços, quase
imperceptíveis de perfume, perecível,
barato?

E no cessar do vento a chuva ruída cinzenta pingando, no cachorro dos olhos de mofo. E vinagre e sal
e braços e bagos enlaçados de adeus. Nos gigantes olhos desse desgosto sem queda.

deus.

Escovou os dentes seguindo o rabo da lua, procurando frestas nas juntas, foi dormir, como se dormir
fosse ato comum, simples intervalo na escuridão, quando tudo que insiste repousa, e a mentira é
uma cor que incide.
E murcha.
Espaço vago na solidão.
Depois.

Sol solar.

Às vezes há sujeira embaixo do armário, é o que viceja a preguiça alheia, doridas em toalhas
de papel. A vassoura não alcança, uma mentira nutrida pela idéia.

A boca.O suficiente pra mastigar crocodilos, a pele é, adjacência de outras tardes sem sol.
A janela de cubos, ao quadrado o soslaio se antecipa, o copo deitado na fronha, o criado mudo.
Sempre.

Trajetória do mastigar.
Arrombo de frases, das fases mornas, perito em desmentir, simular um atraso.
Quando se percebia no embaraço dos lábios a saliva grossa, o embargo dos olhos, dele.
Afogando-se freqüentemente no raso, costume de sair com asas na gola.
Me amedronto e vislumbro criando o quadro certeiro. Resolvido, do recheio mais doce, o ganha
pão do pobre e insone padeiro. Creme. O gorrinho branco.De algodão leva o afago da esposa e
esconde caspas. Não há mais nojo, nunca ouve, ouve agora, de dia de noite, os pássaros noturnos.

As músicas.

As ranhuras do elevador
ensaboadas as mãos cirúrgicas, nosso senhor.
Queda, pois o prego não suporta o peso da moldura.

Da janela ao sem grama, o que emana fende, talhe,
é a listra em que o sol insiste e brilha em níquel, baila a imagem,
qualquer das Marias.

Do pescoço ao osso, o laço parco a guisa da maré, a vida de ré,
da cor da canela que resiste.

Leve. Leva.
Creme dental. Pinta na testa do Hare.

Nas coberturas do centro, da tinta do cabelo que cheira e chispa a merda e amoníaco.
A mesma cor.
Púbis insone e é, pungente, redentor.

Léguas, lâmpadas de mercúrio, é cerveja nos punhos sujos.
Léguas dos isqueiros, uma cama de solteiro pra você
dormir em cima de mim.Costureira, deposto o que é fumaça,
aos flancos e barrancos exasperada, costumeira.
Tece um sonho sem solidão.

Pendurado num sonho sem escada
Eu tenho medo das marcas
Da estranha ginástica do mundo

O que sobrou pra ti, a porra, a sombra dos jasmins na ferrugem da lata.


Enviesado seu olhar de caramelo.
Alvenaria noturna.
Morder unhas polegar o resto da blusa a poeira doa altar.
Entro na rota de colisão, entre por essa porta e a parede, o dedo.

Os anjos de pêra atravessam a rua distraídos munidos de hóstias de um ocre quase febril
se não fossem farinha, o mesmo saco, o saco de um santo esquálido, em um frasco o úmido
da confusão e fuligem e amenos fogões, ao menos no pote tem frutas, mas estão quase podres,
natureza morta desde sempre, o que se espera.O que você espera? Ester, dos olhos largos.

Alem dos vergões abaixo dos olhos, lilases.
Você me pedia tapas na cara, te deixar coradinha.
Foi quando me feriu com aquela merda que comprou no um e noventa e nove, rasgando aos
pedaços a malha quente do meu peito.

- Coração.

O mínimo do lirismo já vem áspero, em cacos, estilhaçados lábios sempre rochosos às cegas,
no escuro o vacilo, a flor de sabão é veloz e a alegria é palavra feminina.

O que pé vertigem ruga.
O que é sangue suga.
É esta sua sede lépida que oscila, mais um beijo escondido a sombra da cortina e o disparate
na rádio AM Glórinha.

Tem lá seus contorcionismos, sapataria sobre o mesquinho, é o milímetro das toneladas.

- Coração.






fao/06-07
®



posted by FAO CARREIRA 12:58 PM

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fao/08





JOELHO DOS PINGOS MOLHADOS
capítulo - II -


A face mais linda imaginada.

Eu olhei por cima dos ombros no canto do quarto aqueles sapatos marrentos, eu tive dó,
pena, eu tive verdadeira tristeza, aqueles sapatos bolorentos eram tão meus quanto os seus.

Encharcados, amiúde.

Os filósofos todos errados, nos meus momentos.
Perenes.

Mas.

Era preciso estar mais próximo, pra sentir o hálito, captar no estalo as diferenças, esqueça,
esqueça as tardias meninas, é preciso ir ao agora, o precioso do agora, no que se diz sem nome.
Ester.
Ainda mais que uma.

Os filósofos gregos todos corados, em seus momentos...

Algo que fosse, como o estalo dos dedos, menina, ou as luas deitadas de bruços sem cortinas.
Pra ver da retina à rotina, os dedos macios passando na virilha moça dos olhos apertados.

Mas.

- Tenha calma meu bem, não se vá, há tanto...Você pode esperar.Você pode.

- Mastiga seu chicletes com calma, é menta, né? Desvia os olhos das cinzas.
Ás vezes é impossível chegar perto de ti.É choroso o brilhante, é igual ao leite na soleira,
o solar na noite inteira.

Com o corpo morfino, é, lasca de prenha, é quase aprendiz, confortável como o recostar do
vigilante noturno no muro, que suga o acidente nas frestas dos dentes, em extase e quase feliz.

A única possibilidade da estrada, pele pra motor. E flor de plástico que se impõe em ríspido
lamento, vestígio pra isopor.

E super-nova, trompa e violão, e nova na mesma rotina, acorda, acorda. Limpa a velha botina no
projeto da esquadria.
O álcool não pode lhe apagar.
Da memória vulgar,...é só saudade.

Ou esqueça, tome a pelo avesso, reconheça a penúria na vontade, segue as listras, milhazes,
milhares. Não vomite a simples queixa, alumínio no que pende dos dentes, o sulco na virtude,
no que não desvencilha.

Algodão oscila no enquanto.
a manteiga no pão.

Então se foi, sofre sobre o tapete e os segundos, o que soaria estranho não fosse além do bocejo
um gesto, os passos lentos, o uniforme azul no ensejo nu.
E no tom da pele, o castanho traço, o resquício do almoço tardio, quase janta, brota uma planta,
nada, nada na palma da mão, além do passe de ônibus, os peixinhos na fronha, a anágua alagada.

- Não adianta.Esther dos olhos de cravos, não adiante o suspiro pra longe das montanhas,
da nossa varanda, do sabonete em que lavas as partes alvas, em fogo.

Era pra deitar, se distribuir, abrir-se em cor, tão leve tão só, qual o pranto, feito a calmaria em prato
fundo, as coisas que caem do céu sem notarmos. Devagar. Vãos.

Revirando Ester pelo avesso.

Dos volumes ao meio.
Dos seus seios.

O anzol negro mesmo brilha, cintila, é o avante dos rastros, é o piano mole, a tecladura insólita,
bate com força a porta e depois pede perdão, é a partícula mínima do lastro, onde a vela fumega
em chamas que fogem verdes, elásticas.

- Eu sei, você gostava tanto da minha dancinha dissimulada, feliz...
Te faria sorrir de novo pra te encher depois seu rosto de espanto, doce.

Ela fingiu que não ouviu, e emendou.
- A sopa da última noite estava ótima, uma delicia.Ela disse sem titubear, brilhando um resto de
lágrima dos olhos, o sorriso dos dentes, como se pudessem vir de outro lugar, o algo que paira
leve no ar, confidente, do rosto que é só leviano, montanhoso na planície dos ombros, belo e pronto.
Pra um beijo.

A sua predileção.Confetes, ora ocres, ora azuis, ora lívidos. Cotovelares.
digo gastos, dobradinhos pisoteados por tantos pares solidões de salões.

Então quando infantil tinha lá seus tubos de ensaio e misturas reservadas, injeções na terra,
nas veias imaginarias e então era velho e exato e tinha lá seus ensaios e misturas quase
concretas, esconderijo de papelão e veias azuis-sombra-de-mão.

Ora uma fruta perdida no esqueleto, ora uma fruta escondida, esguelha e vermelha de Ticiano.
Num arbusto, corruptela de medo, o que branda o gozo do relevo, é lã.

Adorno o que é respaldo, edredom noite adentro.Do silêncio aos pelos encaracolados.
Joelho dos pingos molhados.

desarranjo de flor
estrado da cama.

estende o varal, lilás é do outro lado, sua língua
de um outro açúcar.

inevitável.


fao/06-07
®




posted by FAO CARREIRA 12:55 PM

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fao/08



JOELHO DOS PINGOS MOLHADOS
capítulo - I -


Varre a casa de três a quatro vezes por dia, eu posso ver, sutil, da fresta o resto de alegria, de cócoras,
arregaçado o vestido, esperando um pardal novo a cada centésimo do chão que esfria.
Ilustração de feira.
Petúnias na folhinha, o que era antes do meio, do raio que o parta, o dia, parcial sol, da janela o esgar,
fome.As migalhas misturadas ao pó pro quintal.
Alimenta um amor.
Sustenta um pouco as galinhas.
É fácil, quando não insignificante, remover montanhas estranhas, um amontoado de montanhas, de pele,
pó, planta ou de banha; os musgos, a palavra certa, é fácil, o sorriso serenava aos poucos, é difícil como
dedilhar arabescos, aos poucos, na vitrola o acento certo raspa perto donde formiga um pouco e a rosa
goza.
Digo, a flor.

Branca apodrecida sobre o avental, é ventania.

Veja bem, livre e sozinho feito um mosquito sobre o varal, vôo, lotação de janotas, encostado nas lajotas,
suas galochas negras e úmidas, esperando o vazio.
O próximo passo pra roça. Ou estar no rancho comum cigarro cerrado na boca.
O olhar perdido na poça.


- Eu posso esperar.
Pensou no declive cabisbaixo, Antonio Pi.

Ouvindo agora as gotas pesadas no telhadinho, que cobre parte da calçada pro resto do mundo.

Tão pesado quanto o ar, tão leve como o escarrado trajeto do padre até o canto do altar, é nojo e
vergonha, é relembrança e protuberância no saiote do velho, sangue suga e sua desvairada vontade,
gêmea ao beijo que arde. Em chamas, do lado cego do muro há, avante, a juvenília.

Num lance mínimo a bituca rolou no ar, feito uma breve música.




fao/06-07
®




posted by FAO CARREIRA 12:52 PM

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fao/08





ANTEVEJO


Dentro da mesma idade
e você fechou e abriu
os olhos nesse momento

Entre o som do passarinho
a solidão anil
entre o travesseiro a voz

Antevejo

as lãminas finas da chuva
o desbunde da lua

Onde só brota

o reboque em cal

Cavalos num canteiro de jardim
deflorando
gramas plantas crisântemos brancos volutas redemoinhos terrestres
e minhas vaidades

pau duro dessa mesma

árvore

dentro dessa sua idade


fao/08
®



posted by FAO CARREIRA 12:33 PM

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Quinta-feira, Outubro 23, 2008

 

louva-deus - fao/08




AEROSOL


depois vinha um anjo feito de caneta bic e falava...


- pernas entrelaçadas, estrelas alinhadas.

espera o pai, a mãe nunca sai

o mundo da voltas gigantescas nos dias

e por si alcança o gesto, aquele inteiro, a cantar encima das mudas das árvores,
a barriga cheia de frutas, sementes

a pele na minha, língua em saliva,
e depois decantar .

pega e sublinha
sublime é a linha

suas
omoplatas

do varal se pode ver algodão, manchando o céu, secura do sabão.


se confunde a nuvem, nada mais simples, nada mais pesado, nada de gastar
dentes, em mesas de recados.

Agora é livro inteiro, minha vida inteira.

sem fresta

Outubro era mês de medo, porque o medo vivia pulando dos poros
louva-deuses
beges verdes cinzentos
foram-se, ficaram as pintas na pele

tudo é possível
e tudo pode ser estrago

o apego

a sensibilidade orna

nessa borda



fao/08






posted by FAO CARREIRA 11:06 PM

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Sexta-feira, Outubro 03, 2008

 

menina cebola - fao/94



VALORAR



o que não se colide

a cada casca, pétala
camada

mais uma
lágrima

flor que nasce debaixo da terra
de ponta cabeça

tempera



fao/08



posted by FAO CARREIRA 9:19 PM

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Quinta-feira, Setembro 25, 2008

 

o silencio - fao/08



O silêncio


A explosão muscular contra o
o silêncio das penas no ar

o silêncio é uma cor

é uma mulher descalça

papel voando na praça

lua amarela

usina nuclear

o grito da flor em beleza ao que sugere
quase desesperada
a se notar

um sorriso quase
sem graça

o espírito do sabonete

um cheiro obrigado a tudo e a nada



fao/08




posted by FAO CARREIRA 2:36 PM

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Domingo, Setembro 07, 2008

 

navio de tijolos - fao/08



DESSIPAR

embrulhando pães
embrulhando calor

não a canto que não cheque
espelho que não dobre

mas eu canto baixinho
que é pra você não assustar

você deve acreditar no que eu digo
e eu te devo o gesto olímpico

quando não se sabe mais o que é nuvem, milton
ou montanha

carvão riscado, um limoeiro, dessipar
cheiro de deus, um garfo sujo exemplar

sua xícara, seu sangue de rainha, sua testa fria.

Coloco minha camiseta
branca
e sem nenhum café eu subo

eu marinheiro só
mas tenho um cravo bem guardado

e uma flor de plástico
se for
o caso


fao/08





posted by FAO CARREIRA 3:35 PM

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Sexta-feira, Agosto 01, 2008

 

a caixa de luz deitada e o seu umbigo a espera do batom - fao/08




Pequena carta ao despropósito


Botucatu e os gárgulas lá no ar frio
essas letras negras sobre o papel pálido
de pão
só foi migalha, gralhas
de van Gogh

E todo azul, púrpura e oceânico bolorento do céu naquela esquina
cheia de um quebranto
sem luz
que me jogou longe

mas dentro do espírito a face infinda
o que lustrou seus olhos

Satie trama pequenos ungüentos


No vento mais rápido de agosto
na distancia de um hálito
os dedos longos feito um rio

encosto minha barba ao despropósito
suspensão da mão


em par


fao/08


posted by FAO CARREIRA 11:29 PM

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Quinta-feira, Julho 10, 2008

 

quarto de hotel - fao/08



PARTE UM DE DOIS


Aves, alhures, serafins

Que pouse aos ombros

Sobre a mesa o maço, o lenço
Bijuterias, nós de dedos

Assento o copo, quisera d`água, sobre a mesa
milhares de marcas sobre essa, mesma

As mãos medem veias, tesas, esse mapa
difundo, difuso, flui em metáforas morenas

Cego ilustro

Esse trovão calmo e longínquo
Desejo da dispersão

( e se eu me apaixonar e todas as pétalas ferruginosas e
cheias de um prazer infantil me tocarem e no mastigar
essas soltarem sendas doces, de um brilho escuso, e fazer
aquecer a tempestade do meu sangue
muito sereno e elétrico
ao mesmo tempo

do desejo dos beijos? )


Parte dois de dois

Porque é esse estigma, essa coloração, esse ímpeto
absurdo em saber razão

se pondera
joga seu joelho na leva, ressente e ainda presente
observa

o lábio ruivo, os pelos tantos e do momento
a qualquer face, o enquanto

qualquer palavra é
da boca, solta, não volta mais

pra esse esqueleto, lasso, que não sabe
o vôo


fao/08





posted by FAO CARREIRA 7:42 PM

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Sexta-feira, Junho 20, 2008

 

fluxo - fao/08








posted by FAO CARREIRA 1:50 PM

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Sexta-feira, Maio 23, 2008

 

Brodowski - fao/08




BOTAS GASTAS


Brodowski
Uma árvore no frio

Quina
de cama, Portinari não riria da minha cara
dos dedos longos do cabelo

- nem do meu tosco desenho que risco e não se encerra
sobre a cera do mundo

- Sou um moço triste

Quina de quarto no canto floresce branca
Águeda presente, foi Pedro quem velou suas dores noites

Dobradura no tempo, luz que anda
Tia avó e sem abraços dissolutos

Sem fé eu, apenas as botas
seja essa a minha, ser de encontro seu
resposta

- te peço a mão

e é só você estalar os olhos
- fogo de algum doce despido

a propósito e a fieldade
tiro minhas botas
gastas

em exílio



fao/08




posted by FAO CARREIRA 10:48 PM

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Terça-feira, Maio 13, 2008

 

eterno - fao/08




Segundos



Eu ando com uma âncora
no meu pé direito

e o céu me descasca

E meu lírico
é uma afta na lapela, um ardil

entenda, meu amor – em chamas

Aborrecida ignata véspera
néspera é sua tez

efêmera e movediça as manhãs
e suas gentilezas
apartem
o que bebi da boca e saliva
e das lubrificações tantas seus cristais

encostei minha alma em ti - vezes revezes

pra mastigada dos dias em face
como um cavalo tropeçado sobre mesas plásticas

depois

em saber que a tarde parada é uma prece
e a noite um fermento em respeito a nada

sendo que frágil é

seguimos

segundos


fao/08


posted by FAO CARREIRA 11:25 AM

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Sábado, Abril 12, 2008

 


fao/08







posted by FAO CARREIRA 8:42 PM

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Domingo, Março 30, 2008

 

fao/08




VINCO


Ah, Clarinha
egoísta

caga nas calças o adubo secreto

então cada um com sua miséria e seu potinho de moedas de ouro

e eu que só quero ver o céu com nuvenzinhas de tergal


O cigarro amassado sempre
um charme que só funciona nos anos vinte e tanto e
pronto

Quem sabe eu tatuo uma afta no braço
mastigue um maço

eu quero é apodrecer longe
feito
uma pétala azul clarinha
- ele disse

sublime é uma

mancha de vinho é outra
- alguem disse

mulheres de verdade lanham com as unhas
sem medo

cruzados os dedos

esboço um bocejo



fao/08






posted by FAO CARREIRA 2:17 AM

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Sábado, Fevereiro 23, 2008

 

fao/08




LEVE


Dentro do espírito a carne da hortelã
O homem bomba rasgando o véu do dia frio

Outubro um trovão

Inda tem o laço parco da vestimenta que violenta leve
sua boca moça
Acidez da seda, algodão dos dias, palavra decisa
o que aproxima

pescoço quase gesso e o brilho dos pares envoltos pendurados retornos
níquel Del mar
revelam

carpintaria de dedos unhas remendos florizinhas a toas
independentes
aceitam me

castanho seu olhar cor do chá
que tranqüilizou o sono da filha

semente de alpiste
as cabeças a nanquim, rímel
minotauro preso no quadro

sem artifícios corantes meandros interesses
colhi

da fresta
até o último fino fio de cabelo do sol

qualquer pé de vento ventania

cor de feira
flor de orelha

milagre é abrir os olhos



fao/08





posted by FAO CARREIRA 7:28 PM

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Sexta-feira, Janeiro 11, 2008

 

da nuvem - fao/07



BOM DIA, fiz.


Aliciando

no pais das maravilhas
alice dos ruidos

vibrar é o contorno qualquer

Lince de giz
um sempre sonho que sempre


queimei o jardim japonês com
brasas das bitucas

em pequenos pedaços barrocos serenos
vasa azul

vaso de flor

De novo
na ferrugem da lata

o papel de pão laranja e verde do Hare

ilustra



fao/08



posted by FAO CARREIRA 7:05 PM

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Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

 

do sereno do desejo - fao/07



Quarto de dormir


Castanhos
amarelos
folhas
vermelhos
fios
sentimentos

Nada avesso
nada no avesso

sem guilhotina

retribui em porcelana
o que era caco

queimado todo silêncio
recomeço o dia

e se um anjinho do tamanho de um dedo
bisbilhotar seu olhar
prende ele no cabelo
ele vai gostar

pode ser espelho
água de chuva
inverno, reverso do medo

tinge ele no segredo
você pode adorar


fao/07



posted by FAO CARREIRA 9:13 PM

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Sexta-feira, Dezembro 07, 2007

 

gasto - fao/07



Completas


Lavadas as mãos
vasculhando águas
guardo o cilio encanto no peito enquanto

meu bolso agora é o fundo, dobra de mar
e
fico procurando moedinhas, prata
douradas
usadas

Se eu gosto do amargo ou do doce
tantos telhados não são doces
vai
riso aflora em qualquer margem rouca

Ruido de flecha
Sibilo de louça
Asa de xícara
Lingua de moça

Nada rubro dessa sua ferida vai brotar

Quente é seu sexo

Elis, flor carnivora

Espanta um abismo e
Retorna envolta do indeciso

Um desvio e uma ternura, avulsas
ou o melhor das nossas fugas

Completas


fao/07



posted by FAO CARREIRA 12:14 AM

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Sábado, Novembro 17, 2007

 

Foto de satélite, da caixinha de fósforos, onde se ve o oceano e nuvens.
fao/07





UM SEGUNDO FÓSFORO ( um experimento )



segunda
engula a inteira moça faz de conta que há em mim tambem tais espelhos

se trincar algum jato no espaço
um laço de corda apertar
uma folha prata de bombom estilar sorriso

deixa moça estar e abre o jogo as pernas equilibra as sombras sobre
os tacos do chão do quarto pisos azulejos esses seus lindos olhos moça castanhos,
a quarta paisagem sugerida, suja de mostarda a fronha limpa limpa essa boca na minha
pra fazer suburbio em flor imaginaria e ardida
o que brilha até o pescoço e saliva

as quintas moça pássaros cor cerveja e microfonias a pilha e
resto de barro bar nesse seu tênis branco que eleva estrelas em par para tudo iluminar iluminar

cesta sem feira sem fruta vermelha sem caldo sem enlace de abraço de tia
revista as árvores sem luas geladas quebrando vidraças incluidas nessa nossa musica
e
a rua aberta interessa se

sabe moça é só mais um dia de dar direito as mãos entrelaçadas nesse fuso
esquece o isopor das horas passa o creme nas cochas pra hidratar nosso amor
no mormaço do depois do café com leite suspensos são todos beijos dentes nos dentes
avontade as gotas brancas sobre os pelos negros

domina luz sem olhos das tardes que vagam sem precisar trilhar nenhum
passo poços poças encruzilhadas onde a de se esperar
risca os fósforos novos a iluminar iluminar qualquer nosso novo lugar

se há



fao/07



posted by FAO CARREIRA 12:51 PM

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Segunda-feira, Outubro 29, 2007

 

arabescos - fao/07 -
pra Dri, com amor





ARABESCOS

Pensamentos


Procurando mensagem no fundo do copo plástico de café, bobeira
minha, café cuado não deixa respostas, mensagens
segredos , ensejos de pó molhado, letra barro ao fundo...

espera

sim
existe uma pinta ali que escapou
sabe se lá como do filtro
uma pinta negra terra é a pinta do
desenho que voce mais gostou, que se soltou
do centro do seu pé direito...

da mulher que espera, sempre espera.
e
é porque ela tá se desprendendo
e
eu pensei em voce com amor
o dia

Inteiro



Fao/07





posted by FAO CARREIRA 11:43 PM

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Sábado, Setembro 29, 2007

 

o cometa e o lírio - fao/07



INTACTAS


E uma sarda aqui outra ali

Desisti do ressentimento e da pena, amiúde

O lírio do útero
exasperado

Cavoca o ar princesa russa
Abre a sereia ao meio onde a
Penugem principia
O umbigo

Ziper

E exalta exala
Quaisquer desses macios lábios

O rabo do cometa é gelo

Filha

A inveja é um vampiro com fome

Filtros
São valores

As febres
insuspeitas

e uma sarda ali outra aqui

intactas


Fao/07




posted by FAO CARREIRA 12:10 AM

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Segunda-feira, Agosto 27, 2007

 

ela espera, sempre - fao/07


LONGA METRAGEM


Balzac e a mulher de trinta nos baixos
mira minha cama
de solteiro
e uma ressaca sem inferno

Alheia
sua passagem
de maneira cosmética

e sorrisos sem nenhum dos lívidos da estiagem

levemente rosada quisera

Mas as árvores estão todas maduras, musgo
contrastes negros
e seus olhinhos na mesma
mesmice

( revirando arbustos trotando minha posição )

Querela, termo da estação

e um beijo escapou escorregou pra camiseta

e respeito tudo
do fiapo de grama
a mãe suicida e egoísta

mas hoje as pessoas lindas apareceram depois das 3:00

e a solidão triste agora é um doce embrulhado pelo perdão
- nome muito comprido pra um motel

( os anjos esquálidos voam motos )

setas cegas
nuvem inflada

decanta

esvai


fao/07


posted by FAO CARREIRA 6:13 PM

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Segunda-feira, Agosto 13, 2007

 




AS VENTOSAS MENINAS E O PEIXE
Uma de cada lado da cabeça




fala fala
menina sem alças
fala
que raspa o ar sem valsa
alguma

e do sanguinho encolhido no topo do dedo
vampiriza

dedo na boquinha

o pescado, a feira multi forme

clorofila do ar

sina e cinza lâmpada
amarelecida

rabo espalhado salgado do mar

dedinho na botina

arruma as meias e se safa




fao/07



posted by FAO CARREIRA 7:21 PM

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